O Filme dos Espíritos

Vocês devem estar um pouco de “saco cheio” dessas minhas rascunhadas sobre filmes, mas no momento o cardápio se limita a um “prato feito”, às vezes com direito a um refresco e em dias mais sofisticados, um refrigerante. Estou tentando ter Paciência comigo e aceitar as inclinações talhadas neste intervalo do tempo, até que outras inclinações recebam o bastão do tempo. Convenhamos: uma das bênçãos em não fazer sucesso é o fato de não ter que decepcionar a muitos…

Já passamos por uma série de filmes sobre espiritismo que tiveram destaque na mídia, talvez muito em função da associação com a capacidade de intervir no mercado que a “Globo” consegue enquanto divulgadora. Não assisti aos que antecederam a este “Filme dos Espíritos” (série Chico Xavier), lançado em 2011 e dirigido por André Marouço e Michel Dubret, portanto não tenho – ainda – como comparar as variações disponíveis sobre a temática.

O que me chamou atenção no filme foi a fotografia do Tiago Lage. Algumas tomadas são especialmente importantes por forçarem o espectador ao incomodo da cumplicidade em também querer buscar uma explicação. Esse trabalho fotográfico se dá tanto pelo deslizar suave por paisagens extraordinariamente lindas, quanto pelo corte rápido de planos, numa nervosa disposição de pedaços que aparentemente tidos como casuais, se apressam na tentativa de se justificarem numa peça única, mesmo que multifacetada.

Infelizmente o roteiro de André Marouço não cuidou dos diálogos e, à exceção de Nelson Xavier, o desempenho dos atores não realçou a proposta de tornar pública uma das obras fundamentais da doutrina espírita: “O Livro dos Espíritos”. Tenho dúvidas se o filme contribui para despertar o interesse dos espectadores para a obra. Mas de qualquer maneira foi válida a tentativa.

Não sei das motivações pessoais que buscam tais filmes. Aos adeptos da doutrina espírita, acredito que a capacidade crítica fique um pouco comprometida pelo convencimento da relação dos espíritos com o mundo corporal. Aos agnósticos, talvez mais uma confirmação das lacunas que a doutrina não consegue preencher com relação à razão. Os céticos, esses certamente irão preferir qualquer filme que esteja sendo exibido na sala ao lado.

No que me diz respeito, o alcance da ciência ainda é uma limitação e acreditar nos argumentos morais de que se valem as explicações de deus, também é tropeçar no limite. Portanto, minha inclinação eventual ao buscar tais filmes talvez se concentre numa angustiada necessidade de olhar em volta e perceber que a explicação de tudo é um caminho solitário, que cada um defende em conformidade com as circunstâncias da vida.

Há que se ter muita fé para não precisar de nenhum esclarecimento.

6 Comentários até agora.

  1. Tania disse:

    Sim… soube que o efeito do filme não foi dos melhores, ou seja, não conclamou as pessoas à posterior estudos, averiguações, etc sobre o kardecismo. Uma pena. Bj

  2. Vera Menezes disse:

    uma pena….. mas pelo menos foi divulgado de alguma forma…

  3. kelly disse:

    Fé é o que mais se vende atualmente. O que não é de se estranhar, pois é difícil o exercício do “Torna-te quem tu és” a grande massa quer, deseja o eterno retorno.

  4. Vera Menezes disse:

    Não sei se as pessoas querem voltar. Acho que não querem ir…..

  5. kelly disse:

    Poxa não tinha ainda parado para refletir nisso. Afinal ninguém mais deseja o que minha falecida vó desejava, caminhar pelas ruas de ouro e brincar com os leõezinhos. E olha que a tentativa desse “novo“ mercado – vida pós morte – está tentadora e é de uma proteção gigantesca. Estava vendo o Nosso Lar e não pude deixar de me perguntar: para que muros tão altos?; ou reparar que já tínhamos Brasília pronta antes mesmo do Niemeyer idealizá-la. Sem dizer que o programa “Minha Casa Minha Vida” a Caixa, sem economia, já estava financiando. Que vida que nada: a morte está melhor, ainda mais com o gostinho do continua rs.

  6. Vera Menezes disse:

    rs…rs… Gostei da indagação sobre os muros altos…..