Receituário

De que fel preparava
as porções que servia?
O papel que rasgava
era eu que escrevia?
De que erva era o chá
que o bule fervia?
De que águas o mar
que cortava de fria?
De que sal o tempero
que azedava o meu dia?
De que fogo o luar
que furioso latia?
De que medos a tarde
mastigava e mordia?
De que arte marcial
o furor apreendia?
De que livro infernal
as lições consumia?
De que bem, de que mal
se chorava, se ria?
De que torvo quintal
suas flores colhia?

 Reynaldo Jardim (13/12/1926 + 02/02/2011)

Prêmio Jabuti 2010 – categoria poesia – Sangradas Escrituras

Um Comentário até agora.

  1. Tania disse:

    Bonitos, pero tristes.