Ayn Rand

Estava eu espantando as moscas que sempre implicam com a prostração que os dias abafados imprimem no nosso metabolismo e, enquanto assistia a tarde mudar de cor, folheava o jornal. A quantidade de más notícias já deixou de me impressionar pela constância com que a incapacidade humana vai costurando os dias com uma sórdida suavidade, despejando gota a gota o avesso do reconhecimento, deixando a realidade de pernas para ar sem nenhuma habilidade acrobática. Até o dia que amanhecemos nos dando conta que o mundo mudou e nós permanecemos fincados nos mesmos ultrapassados valores que há muito nos sustentavam. Ia passando os olhos de notícias em notícias, quando um texto de parágrafo único e bem curto, me trouxe certo alento: uma possibilidade de salvação. Só não soube identificar quem poderia ser salvo: ou o mundo ou eu….

“Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”

Parágrafo do pensamento de Ayn Rand, nascida em 2 de fevereiro de 1905 em São Petersburgo, e faleceu em Nova Iorque em 06 de março de 1982. Foi escritora, dramaturga, roteirista e controversa filósofa norte-americana de origem judaico-russa, mais conhecida por desenvolver um sistema filosófico chamado de Objetivismo. Emigrou para os Estados Unidos em 1926 alcançando a fama com o romance “A Nascente” (The Fountainhead), publicado em 1943.

Um Comentário até agora.

  1. Tania disse:

    Querida, passam os anos, os governantes, os negociadores e, infelizmente, algumas coisas não mudam jamais.