Um Bom Conceito

Estou procurando um Bom Conceito disponível para aluguel. Pago três meses antecipados, o que significa que irei praticá-lo no período estabelecido na perspectiva de bem avaliar quanto à efetividade.

Esta iniciativa me ocorreu a partir da constatação fatalista que a minha respiração está perdendo a validade e as práticas conceituais que me serviram até aqui foram incapazes de um equilíbrio prolongado. Essa perseguição de vida inteira está a me requerer um processo mais dinâmico para me evitar um final reticente.

O que eu espero de um Bom Conceito? A promoção de coisas muito básicas, tais como: disponibilidade ampla para sorrir todos os dias, mas daqueles sorrisos genuínos que se estabelecem espontaneamente no trato dos acontecimentos; disposição renovada a cada amanhecer que me permita encarar o dia com a convicção de que se trata de um potencial ilimitado de boas oportunidades; palavras gentis trocadas sem reservas de domínio, desde que se afastem do convencional e possam expressar autenticidade de sentimentos; destreza assertiva com relação à paciência por ser condição imprescindível para perceber possibilidades distintas, menos traumáticas; discernimento com ampla transparência para o binômico custo x benefício que abranja todas as etiquetas de preço relacionadas à Vida; experiências que me façam aprender com a exclusividade de transitar apenas pela via do Amor.

Não, não pensem que procuro alugar premissas que induzam à obtenção da Felicidade. Nada disso. Felicidade é abstração da Angústia e ambas são altamente indesejáveis. O Bom Conceito que procuro está associado a um confortável Bem-Estar, bem parecido com as vezes em que se pega um livro para ler sentado numa poltrona tão aconchegante que torna a leitura mais atraente. Fundamentos que quando confrontados com a realidade me permitam o entendimento de ter nascido para fazer as coisas que faço, condição esta que teria me impedido tantas vezes de torcer os tornozelos na insegurança dos meus passos. E foram tantos “ai, ai, ai” e “ui, ui, ui” pelo caminho…

Já que o mundo está cheio de pessoas que se esforçam em mostrar uma vida encantada pelas redes sociais, replicando inveja aos que acreditam em sorte, bem-aventurança e perfeição, está lançada a oferta: estou querendo alugar um Bom Conceito e pago bem. Estou pagando com a minha vida em experiência de três meses!! Mas, por favor, não me venham oferecer fakes-feelings, daqueles que não sobrevivem à hora seguinte nem a mais tacanha das dificuldades. Estou querendo um Bom Conceito que perdure no que me resta viver, na perspectiva que muito além do depois de amanhã ainda pretendo estar viva.

Aguardo propostas encaminhadas em duas vias, com no mínimo uma vida que justifique o direito à seleção do seu Bom Conceito.

6 Comentários até agora.

  1. Tania H R Salgueiro disse:

    Hum.. aceita repartir as despesas comigo? Rs.. bjs

  2. Vera Menezes disse:

    Muito boa essa, Tâninha…. Nenhuma proposta chegou até o momento…

  3. renato soares menezes disse:

    Hum, que tal «a paz de espírito»? E de graça!

  4. Monica Barros Coutinho disse:

    Também gostaria de me juntar nessa busca!

  5. Vera Menezes disse:

    “Tamos junto”, Monica !!

  6. Diderot Lopes disse:

    Vera, minha Amiga, a proposta vai na linha de apenas achar que melhor seria você alterar a finalidade da placa.
    Em vez de procurar o conteúdo que descreveu em algum lugar fora de você, melhor seria colocar a placa bem ao seu lado, pois o que você idealiza, há muito tempo é parte que lhe integra e generosamente é oferecida aos passantes que se aproximam do seu caminho, que como todo caminho é constituído de altos e baixos.
    O movimento pendular está sempre presente, pois este ritmo pertence à natureza das coisas.
    Nestes tempos bicudos esta proposta empreendedora até pode ser uma boa iniciativa…
    Entendo também que certamente você é muito bem recebida no “clube dos desesperados” no qual os parceiros nada esperam.
    PS: A segunda via solicitada vai pelo e-mail, sem nenhuma garantia de validade. Apenas dúvidas…