Ubuntu

Dia desses, a generosidade de um amigo o levou a me oferecer um computador com características fantásticas, dentre as quais destaco enquanto usuária: a qualidade do som, a definição da imagem e o tamanho da tela que compensa os indesejáveis avanços da miopia em mim progressivos. Antes de concluir o oferecimento, me alertou que além de uma revisão minuciosa e corretiva em todos os componentes, havia instalado o sistema operacional Linux. A advertência estava bem fundamentada considerando a impopularidade de tal sistema em se comparando com a massiva adesão que a popularidade concedeu à Microsoft.

 Tá bom. Eu nunca havia experimentado o Linux e por incrível que possa parecer aos que me conhecem e sabem o quanto sou resistente às novidades que me tirem da zona de conforto, eu disse sim ao presente. E devo dizer que de alguma forma, entusiasmada em poder aprender coisas novas. Imaginem vocês…. O fato é que estou usando o computador e feliz da vida por não ter empacado em nenhum obstáculo decorrente do software Ubuntu.

Mas tudo isso me levou a querer entender um pouco mais sobre a “novidade”. O Linux existe desde 1991 pela obstinação de um finlandês (Linus Torvalds) em oferecer um sistema gratuito, de acesso irrestrito cujo desenvolvimento se desse por meio de trabalho comunitário. Confesso que me interessei muito em conhecer a biografia desse tal de Linus Torvalds… Gente fina, interessado na coletividade….

Como o meu amigo insistia muito para que eu me referendasse ao sistema pelo termo Ubuntu, e não Linux, lá fui eu tentar entender as bases da correção que me foi sugerida. Para desprezo dos especialistas vou resumir assim: O Ubuntu está para o Linux como o Windows está para a Microsoft. Isso para não escapar da mediocridade do raciocínio comparativo.

Descobri que esse tal de Ubuntu foi lançado em 2004, mas muito mais que isso: é um conceito sul africano que se resume a “sou o que sou pelo que nós somos”. Mais além: “uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível para outros, apoia os outros, não se sente ameaçada quando outros são capazes e bons, baseada em uma autoconfiança que vem do conhecimento que ele ou ela pertence a algo maior e é diminuída quando os outros são humilhados ou diminuídos, quando os outros são torturados ou oprimidos”. Caramba!! Não se pode ignorar os pilares virtuosos dessa visão institucional.

Esse longo preâmbulo é comparável ao tamanho da reflexão que essa sucessão de acontecimentos me proporcionou. Posso imaginar o quanto deve ter sido espinhoso perseverar em querer oferecer um sistema operativo de código livre sem se deixar engolir por uma poderosa concorrente com recursos mercadológicos praticamente ilimitados. Provavelmente foram inúmeras as guerras judiciais e incontáveis as investidas do opositor para neutralizar a capacidade de adoção do público. No entanto, o que mais impressiona me leva à tentativa de compreender a natureza humana: não sei quais os motivos que predispõem as pessoas a preferirem pagar por um sistema operacional enquanto existe um gratuito que efetivamente tem o mesmo desempenho, ou ao menos, muito próximo. Desconhecimento? Desconfiar que tudo gratuito não presta? Ter alguma especie de garantia de que por ter pago pode fazer exigências? Não sei… No meu caso foram duas as situações implicadas: desconhecer e uma comodidade em não me aventurar no desconhecido…. Felizmente as duas estão sendo superadas.

Bom, eu só posso sugerir aos outros o que a minha experiência é capaz de recomendar. E mesmo assim muito convicta de que sugestão não enseja a obrigatoriedade da aceitação. Em assim posto e compreendido, tentem experimentar a eficiência do Ubuntu (tanto no que seja software quanto na nobreza do significado). Afinal de contas, somos reféns dessas máquinas de comunicação, muitas vezes velozes e outras tantas vezes furiosas. São elas que estabelecem um percentual elevado da nossa comunicação e se é possível usufruir delas sem nenhum custo, que o Ubuntu faça muito e muito sucesso.

Pelos séculos da Microsoft, amém para a Canonical Ltd.

2 Comentários até agora.

  1. Tqnia disse:

    De fato, não ouço mais falarem na plataforma Linux. Sou fã e usuária de sistemas a abertos, como o Firefox por exemplo. Mas esbarrava nos comentários de incompatibilidade então existente do Ubuntu com alguns aplicativos na época bem utilizados e necessários. Valeu a resenha. Beijão

  2. Diderot disse:

    Exerço o meu ativismo mantendo dispositivos com menu “multi-boot” com várias versões “daquele” e onde uma das demais partições abriga sempre o Ubuntu desde 2010 sendo atualizada e utilizada regularmente. Procuro quando tenho oportunidade divulgar adicionando que conjunto livre = Ubuntu tem melhorado muito principalmente nos últimos anos quando amadureceu bastante e se tornou muito mais amigável. Vale investir no meu entendimento por muitas razões.