• Saltaram dos livros e vieram para cá

    Daniel Galera

    Quando eu li “Barba Ensopada de Sangue” Daniel Galera não me era totalmente desconhecido uma vez que “Até o dia em que o cão morreu” inaugurou e me incitou a querer confirmar minhas impressões sobre o autor. A primeira vez que ouvi falar em Daniel Galera foi no Podcast do Antônio Fagundes “Clube do Livro” (bom demais! Claro: saiu do ar…) e o título já me deixou curiosa. Daniel Galera nasceu em São Paulo, mas é gaúcho de tempo vivido em Porto Alegre (até parece que estou abrindo uma janela nas minhas leituras para a ponta sul do país… inclusive o “Barba Ensopada” faz referência a Torres a partir de…

  • Saltaram dos livros e vieram para cá

    Rabiscando na Areia

    Em 2019 eu recebi o livro “Rabiscando na Areia’ que me foi presenteado pelo autor com uma dedicatória simpática e humilde. O autor, Bento Barcelos da Silva, não o conheço pessoalmente mas dele me foi transmitida admiração a partir de um comentário aqui, outro ali, por parte de quem expressou privilégio de o ter como amigo. Quando terminei a leitura do livro me veio a nítida impressão de que escrever é a tarefa mais fácil do mundo. E, convenhamos, um autor que consegue nos passar essa sensação é digno de todo respeito por ser detentor de um mérito que para mim é fundamental: clareza na exposição de suas ideias. O…

  • Frases que me detiveram

    Concílio

    Ainda bem que era a mão esquerda. Sou destro e na eventualidade de vir a perder uma das mãos, melhor mesmo que seja a esquerda. Não sentia uma dor insuportável, e o meu pânico com a situação não ultrapassava os limites da sanidade. Muito provavelmente se as mandíbulas do cachorro se abrissem, haveria danos, sangue, emergência médica. Eu olhava com alguma tristeza para o cachorro e menos tristeza pela minha mão. Sempre gostei, respeitosamente, de cachorros e não imaginava que um deles traísse a minha respeitosa amizade com aquela atitude que violentava os meus princípios animais de cordialidade. E o cachorro não me soltava. Por prudência não me cabia arrancar…

  • Frases que me detiveram

    Qual a pior coisa que se pode descobrir de alguém?

    Me fizeram essa pergunta dia desses e descobri que sou dada a espasmos, tipo ficar hipnotizada olhando para nada, pensando. Outra coisa que tenho percebido é que do segundo texto que devo ter decorado na minha vida, o Pai Nosso, me escapam algumas frases me obrigando a recomeçar algumas vezes e com isso o que há de religiosidade se perde no inconformismo de ter esquecido o que acreditava estar registrado na memória para sempre. Digo isto mais por medo de serem estes os primeiros sinais de Alzheimer do que propriamente vínculo direto com a resposta. Algumas possibilidades me ocorreram: 1- Descobrir que alguém é um assassino: certamente não é uma…

  • Saltaram dos livros e vieram para cá

    Aprendizagem – ou Caderninho dos erros e acertos

    Quando o telefone tocou não eram nem oito horas da manhã. Entendi que a situação era urgente: do outro lado da linha as palavras não fluíam com naturalidade e a respiração curta indicava que o ruim havia acontecido e que o pior poderia se estabelecer rapidamente. Vesti a primeira roupa que encontrei naquela parte do armário que reúne as autorizadas ao convívio social , engoli o café sem a dose necessária de açúcar, peguei as chaves e rompi o isolamento atravessando ruas, avenidas, túneis, viadutos, bairros, até chegar no endereço da voz que falava em sílabas entrecortadas de vazios pela falta de ar que estufava o peito em intervalos muito…

  • Sentimentos acontecem dos fatos

    Um Homem além da Quarentena, um pouco depois dos Sessentena

    Nunca usou chapéu. Chapéu tem abas que o impedem de ver o céu. No céu tem anjos que batem asas nas vezes que ele sorri. Ou os anjos são conceitualmente muitos exigentes, ou ele sempre foi de sorrir pouco… mas de observar muito, escapando pelas feições a expressão dos seus pensamentos. Pensamentos refletem moral de conduta. Rígido. Sério. Correto. Homem de bem. Rasgou o peito de cima a baixo, mas de certa forma trancou a alma no recôndito de si mesmo. Alma acidentada por sentimentos contidos. Lá dentro do corpo, a alma brincando no slackline vertical, percurso que vai do cérebro ao coração. Ora desequilibra ali, ora uma vertigem aqui……