• Aquele filme mexeu comigo

    Apenas um Beijo

    Este é um filme de Ken Loach lançado em 2003 (Ae Fond Kiss…). Uma característica forte nesta direção é conduzir o espectador por enredos delicados, sem exigir dele um envolvimento angustiante com as temáticas apresentadas. E muitas vezes tais isenções emocionais ao se assistir um filme facilitam a reflexão mais abrangente sobre as questões principais. Neste filme o envolvimento amoroso entre um homem e uma mulher não leva o espectador a acompanhar as miudezas que com frequência sobressaltam ao se investigar um relacionamento. Aqui não está em pauta analisar se as afinidades entre os dois sustentam a durabilidade da relação. Pouco importa a quem assiste ficar medindo o quanto os…

  • Aquele filme mexeu comigo

    A Renúncia que nos Pertence

    Existem filmes que nos fazem revigorar: voltamos para casa com uma capa invisível de super-herói, com a certeza inabalável de que podemos realizar todos os nossos desejos. Outros nos afligem, geralmente porque a angústia que nos fazem sentir não se reconhece no nosso leque de experiências e nunca nos imaginamos na situação tal qual nos é apresentada. E existem aqueles filmes que nos fazem silenciosos porque encostam, com maior ou menor folga, em algum episódio próximo do que já experimentamos. “Eu Pertenço” é um filme norueguês (“Som du ser meg”, tradução “Como você me vê”  talvez mais adequada que o título oficial brasileiro) de 2012, cujo diretor (Dag Johan Haugerud)…

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    O dia em que acordei Cheyenne

    “Existe algo errado aqui. Não sei exatamente o que é, mas existe…”. Sabe aqueles dias em que você acorda fora de compasso, atravessando o ritmo, desafinando na música antes mesmo de alcançar o refrão? Pois é, foi mais ou menos assim dia desses. Aí resolvi assistir um filme para espantar a nuvem baixa que impedia aterrissagem da ordem natural das coisas. Como havia a recomendação para o “Aqui é o Meu Lugar” (This Must be the Place), arrumei a parafernália, dispensei a pipoca e me concentrei na tela. Sempre achei que Sean Penn deveria ter recebido muito mais que os dois “Oscar” conquistados até hoje. E nesse filme a sua…

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    Como não amar Bertolt Brecht?

    “Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la” B.B. Um dos fantásticos presentes que ganhei em 2012 foi um trabalho muito bem executado, em três DVDs, apresentando parte da produção cinematográfica de Brecht. O conteúdo já anunciei: fantástico. Mas nessa definição também inclui a magia desse material ter chegado até mim. Geralmente quando se escolhe um presente para alguém, leva-se em consideração o gosto da pessoa que o receberá. O meu desconhecimento sobre Brecht sempre beirou o absurdo, daquelas referências vagas que não passavam por pontuá-lo como um “dramaturgo alemão”. Portanto, alguém me presentear com a ocasião de conhecer o que sempre se manteve na minha superficialidade intelectual,…

  • Aquele filme mexeu comigo

    As Flores da Guerra

    Não sei se o título em português é fiel ao original (“Jin Líng Saí San Chai”), mas é preferível ao do romance de Yan Geling (“The 13 Women of Nanjing”) no qual o filme se baseia. Romance e filme recontam o massacre da cidade chinesa de Nanjing, invadida pelas tropas militares japonesas em 1937. Esses 75 anos distantes do fato me fazem pensar na possibilidade de ainda estarem vivos alguns sobreviventes e quais os legados transmitidos oralmente a seus descendentes. O que nos é mostrado faz parte de um desses repertórios privados que jamais serão editados pela História. O filme é do diretor Yimou Zhang que já nos deixou com…

  • Aquele filme mexeu comigo

    Comercialização do tempo

    ‘Muitos têm que morrer para que poucos sejam imortais. Se todos pudessem ser eternos, não haveria espaço suficiente. As zonas de tempo existem para dividir os que têm tempo de sobra daqueles que precisam lutar pelo tempo de cada dia. O custo de vida sobe na periferia para que as pessoas continuem morrendo. Às vezes as taxas e preços aumentam mais de uma vez em um único dia. Alguns têm milhões de anos enquanto outros nem mesmo um dia. Uns com tempo demais, outros desesperados por terem alguns minutos. Mas, na verdade ninguém precisaria morrer antes da hora certa. Se o seu relógio do tempo tivesse milhares de horas, provavelmente…