Sentimentos acontecem dos fatos

Essas tais amígdalas…

amigdala

Muitas características relacionadas ao nosso comportamento são acionadas por uma interação de neurônios situados no nosso cérebro com tamanho e formato de amêndoa.  Pois são as amígdalas que armazenam as memórias associadas às reações emocionais que manifestamos. Assim, são elas que desde o nosso nascimento vão acumulando os registros emocionais e, de forma associativa, fazem comparações das situações atuais com as situações passadas e nos levam a uma reação específica. Portanto, quando algumas situações acionam os arquivos de dados existentes nas amígdalas, o nosso corpo reage em conformidade com os registros lá armazenados: ou taquicardia, ou paralisia, ou aumento da respiração. Dizem, inclusive, que a amígdala situada no hemisfério direito é “masculina”, na medida em que acompanha e fiscaliza os estímulos externos que recebemos; e que a amígdala do hemisfério esquerdo é “feminina” por acompanhar e fiscalizar os estímulos internos.

O fato da ciência identificar a importância das amígdalas, centralizadoras das nossas relações sociais, não nos permite qualquer esclarecimento sobre a nossa natureza. Continuamos a ser misteriosos na nossa individualidade. Os arquivos emocionais não são coincidentes, o máximo possível é alguns dados serem semelhantes a de outra pessoa, mas coincidentes jamais. E essas distinções permanecem mesmo que dois indivíduos tenham amígdalas do mesmo tamanho, do mesmo tom de cinza e do mesmo peso.

As minhas amígdalas me colocam a sensação de medo e me possibilitam agir com relação a esses impulsos, assim como delas decorrem as minhas ações de prazer, de empatia, de estabelecer o espaço social com relação as demais pessoas. Estudos comprovam que a origem das minhas ações decorrem dos arquivos que se abrem nas amígdalas, mas ainda permanecem intocáveis os motivos que me levaram a colocar algumas situações no meu banco de dados enquanto que outras foram dispensadas do meu repertório. E nesse repertório de emoções recolhidas ou recusadas, quais seriam as sensações que determinariam um indivíduo evoluído?

Estudos também comprovam que o tamanho das amígdalas interfere no grau de sociabilidade do indivíduo: as pessoas com amígdalas maiores têm disponibilidade para a construção de um mundo social mais rico. Mas, mesmo aqui não se tem um padrão exato para estabelecer o maior e o menor, uma vez que “cerca de 2cm” apenas orienta o tamanho médio das amígdalas.

Vamos lá: a importância desta confirmação científica é inegável. E certamente a evolução da ciência irá permitir intervir nas amígdalas de forma a adequar algumas reações  patológicas:  a agressividade desmedida, a depressão profunda, o autismo…. Por não haver padrões que possam definir com exatidão as reações normais – felizmente – então cabe a cada um de nós a atualização dos registros armazenados nas amígdalas. Uma atualização que permita as nossas memórias emocionais a interação prazerosa com a vida.

Saber onde estão guardados os estímulos que me embotam é apenas um referencial para o longo exercício  de querer superá-los…

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