Sentimentos acontecem dos fatos

Museu da República

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Eu fui andando até que na Rua do Catete 153, depois de passar por um sem número de apelos visuais, meus olhos se detiveram na arquitetura do Museu da República. Eu cheguei até ali passando por uma quantidade exagerada de camelôs vendendo de tudo e um pouco mais; venci o barulho das lojas que de muitas maneiras inovavam para que a atenção dos clientes em potenciais, ou acidentais, se  mantivesse; parei nas bancas de jornais entretida com a quantidade de títulos, folheando os que imaginei mais interessantes; sobrevivi ao trânsito intenso e a obstinada displicência dos motoristas que entram em ruas sem usar as setas; superei a mim mesma, pouco afeta a caminhadas lá fui eu atravessando ruas, esbarrando em pessoas, retendo o passo em muitos fatos. Cheguei no museu por um acaso dos passos. Entrei com toda a curiosidade de quem faz uma primeira visita.

Não precisava de mais nada. Bastava aquele jardim. Bastava aquela tranquilidade  interrompida  pela correria de algumas poucas crianças que corriam  livremente, sem perigo.. Bastava aquela nesga de luz que enfrentava os olhos cansados dos idosos que lentamente escolhiam os bancos para descansar suas existências.  Também tinha notebook no colo de poucos. O que será que esses notebooks descreviam, absorviam, daquela manhã?  Andei pelo jardim  buscando um banco menos molhado da chuva. Andei pelo jardim medindo os passos para que a lama de algumas partes não fosse transferida para os meus tênis. O museu  estava fechado. O cinema estava fechado. A máquina de pipoca perto da bilheteria estava vazia, desprovida do cheiro que sempre vem antes da vontade de comer pipoca. Mas havia um café aberto. Um café quentinho para espantar a ameaça de friagem que algumas nuvens cinzas cobriam o sol e levavam a minha alma para onde o olhar descansa.

Sem notebook, sem lápis e sem papel me senti inútil na paisagem. E sempre quando me inutilizo nas paisagens os pensamentos se atiçam e saem em busca das formas mais precisas para  que a paisagem se mostre afetiva à memória. Hoje eu estou aqui  juntando as belezas de tantos detalhes que foi conhecer o jardim do Museu da República num dia de pouco sol, mas que encheu minha alma de luz.

Fui embora porque havia um avião me esperando para me trazer de volta. E eu dando voltas de alegria colorida em emoção. Viva a República !

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