Sentimentos acontecem dos fatos

Renascer….

pascoa

Fico observando a obrigação que nos é imposta de comer chocolate nesta época do ano. E não se trata apenas de comer um chocolate ou bombom comuns: precisa ser o tal do Ovo de Páscoa. A indústria investe agressivamente acreditando que eu vá contribuir para superar as vendas do ano anterior e despejam no mercado toneladas de chocolates decorados com os mais diferentes apelos visuais: tamanho, cores, recheios, brindes e falsas promoções…

Abaixo a cabeça e me aventuro nas alas dos supermercados num céu de ovos de Páscoa ao alcance das mãos que estendidas podem capturar estrelas que se fazem cadentes a cada desejo. Um verdadeiro “corredor polonês” de tentações que lidam com o bolso, com a balança e com uma mascarada idéia de celebração. E como as crianças ficam enfeitiçadas pelo brilho das embalagens e tamanho das gostosuras.

Na sequência, procuro alinhar alguns sentidos representados pelo esquecimento de seus símbolos originais: a ressurreição, o bacalhau, os ovos de Páscoa… A impressão que tenho é que por diferentes motivos a Páscoa nos impinge um sentimento de culpa bastante desconfortável. A ressurreição de Cristo esquadrinha o remorso de ter morrido por mim. O bacalhau enquanto prato vigorosamente sugerido para a ocasião, não cabe no orçamento de todos os brasileiros e são muito ruins, em qualquer circunstância, farturas que por serem privilégios constrangem a possibilidade de usurfruí-las. E os tais ovos de Páscoa, não conseguem mais ir além de uma concessão no ano para se exceder na quantidade de cacau.

Pois é… o Natal dá uma pressão no peito porque Cristo já nasce com a sombra de sermos nós os seus assassinos; e a Páscoa é a confirmação da nossa culpa, como se Cristo na sua ressurreição só o fizesse para que nunca esqueçamos do nosso crime… E eu fico olhando as filas, os recordes de vendas, as receitas, a ininterrupta violência que se alastra vitimando a esperança… Me recolho em profundo silencio e agradeço…

Agradeço ao amigo que me convidou a uma profunda renovação. Que me permitiu lembrar que em alguma parte desse planeta a Páscoa coincide com o início da primavera: momento de reformulação da natureza. Acho que deve ser por aí: aproveitar o renascimento para descobrir potencialidades em cada um de nós que tornem efetiva a paz desejada por todos.

Que a Páscoa nos inspire a ressurgir para a vida no vigor da esperança!

 

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