Sentimentos acontecem dos fatos

Mandala

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Ganhei uma mandala. O gráfico sentido do meu existir. Uma identidade que supera aquelas de que se abastece a biometria. Em síntese, é na minha mandala que repousam as essências da voz, da íris, das digitais, da geometria da mão, da assinatura… essas particularidades que interagem com o mundo na singularidade que me compete. Tudo ali na conjuntura dos traços e cores. Uma inspiração, sem dúvida, para o significado que diz respeito somente a mim. Um significado a ser desvendado e reconhecido ao longo do caminho, com a mesma suavidade da Terra na sua cadenciada rotação. Uma respiração tão leve e tranquila que a morte se afasta sobressaltada pelo engano.

A disposição concêntrica dos círculos e quadrados sussurra: “eis o teu movimento“. E eu atravesso em silenciosa concentração, as dimensões fantasiosas do perceptível, depurando as sensações e emoções, até alcançar a sintonia das energias que se expandem e se oferecem à mansidão de existir. E ali sou eu, feixe luminoso, devolvendo ao universo o privilégio da vida.

Ganhei uma mandala. E com ela a inalienável convivência com o mistério que oficializa o meu silencio e permite a abstração do olhar. Cerco-me das viçosas folhas que prenunciam frutos, condicionados à generosidade das árvores quando irrigadas. Assim se alimenta o meu pertencimento ao mundo, ornamentado por um rodízio de lágrimas e sorrisos: abre-alas para a agremiação das ilusões onde desfilam, no ritmo desencontrado da esperança, os equívocos e entendimentos da felicidade. Eu escolho com as medidas do impossível – clara opção – os sinuosos caminhos, pelo simples prazer de percorrer todos os quadrantes, pela aventura dos limites. Dentro dessa certificação do caos, recebo de presente uma mandala. Na sutileza do seu centro é onde a dispersão das cores se realinha para me servirem de reconhecimento.

Ganhei uma mandala. Nela as cores da vitalidade e do equilíbrio se revezam ao sabor das emoções e nem sempre chegam juntas a determinados trechos do caminho. Ganhei uma mandala. Nela as árvores, delicadamente, confundem galhos e raízes com a promessa de um dia fazerem coincidir os meus gestos com a direção do vento.

Ganhei uma mandala. Quem se debruçou na identificação da minha mandala, carinhosamente me entregou um convite do universo. Agora é só trabalhar as energias, ensaiar a coreografia para que o balé do tempo se apresente no salão iluminado da vida.

Muito obrigada!

Um comentário

  • Tania

    amiguinha…que texto lindo… , tão lindo, tão harmonioso, lúcido como a poesia não permite a qq um… que sua mandala da vida, agora identificada em uma de suas muitas formas, irradie luz e energia pelo seu caminho. Beijo

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