Sentimentos acontecem dos fatos

Sobre o tempo que passa

Apenas o tempo encurta, mas a vida se alonga nas experiências, no aprendizado, nas novas descobertas dos diferentes ângulos inspecionados.

Fazer aniversário é sempre uma festa investigativa que se desdobra na visita que se faz no traçado do tempo dentro da cronologia do amadurecimento. E que alegria quando se reconhece a criança que fomos abraçando o adulto que nos tornamos.

Hoje é aniversário de um amigo. Um amigo que não é “amigo de infância” e que por isto mesmo os méritos ficam mais destacados. Afinal, não deve ser muito fácil romper as barreiras protecionistas que vão se acumulando na medida em que nos individualizamos ao nos despregarmos da infância. E quando nos ilustramos com processos seletivos rígidos, quando temos o escrúpulo da comodidade em não interferir na vida alheia, quando buscamos nos cercar de “iguais” (ou mais “parecidos” possível) afastamos de nós o sentido da diversidade que a infância nos permitia desfrutar. Portanto, os amigos da “não-infância” são mais raros e igualmente valiosos.

Pois bem, esse meu amigo da perseguida maturidade é bastante especial. Dotado de uma curiosidade, que de tão obsessiva torna-se científica, ele está sempre estudando o que os comuns dos mortais não devotariam meia-hora de questionamento: ética, moral, consciência, sentimentos, mitos… e com uma profundidade que o faz percorrer livrarias e sebos, vibrando a cada livro raro que consegue encontrar sobre cada assunto. Em função disso, nossas conversas nunca se mantêm na superfície das palavras. De um lado ele me corrigindo (sugerindo) termos mais fiéis às minhas idéias, e do outro lado, eu, na profundeza da minha ignorância, tentando resumir entendimentos que me são colocados numa perspectiva recém inaugurada para o meu raquitismo intelectual. Apesar da densidade dos assuntos, quase sempre terminamos nossos temas rindo muito de nós mesmos ou para a vida.

Nesse dia especial, é desejar então que o agnosticismo que o aproxima tanto da ciência, não o torne desprovido da esperança. É desejar que a natureza, com toda a graça, lhe conduza para o caminho revelador da simplicidade que adormece em todas as coisas. É torcer para que o exercício da vida lhe assegure a paz de espírito que a nossa idade recomenda.

Desejar, por fim, que as nossas conversas continuem, sempre, a me ensinar muito.

Feliz aniversário!

P.S.: Qual o livro que lhe darei de presente este ano?

Para D.C.L.

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