Sentimentos acontecem dos fatos

Eu fui…

Brasília amanheceu no mormaço. Deu 10hs e avisei a Chris que passaria na casa dela para irmos à Marcha Contra a Corrupção.

Chegamos na hora certa. Nos primeiros passos daquelas mais de 20 mil pessoas saindo do Museu Nacional na direção do Congresso. Uma festa das mais emocionantes de se fazer parte quando se dá conta que aquilo ali só aconteceu porque a sociedade – civil – se mobilizou. Não houve nenhuma bandeira de qualquer partido, mas muitas, muitas bandeiras do Brasil tremulando, acompanhando refrões bem humorados da indignação que não se quer mais sentir.

Foram 2 km de ida e mais 2 km de volta. O mormaço, no final, já deixava transparecer o efeito acumulado nos nossos rostos vermelhos e no tropeço das pernas com uma vaga noção de linha reta. Mas pouco importa a dor nas pernas e o calor, não tem nada que possa se tornar mais importante que o fato de estar participando de uma manifestação que espontaneamente reuniu mais de 20 mil pessoas que não querem mais permitir que uns poucos imponha a vergonha a um país que queremos “chamar de meu”.

E tínhamos gente de patinete; gente de bicicleta; gente de patins; famílias inteiras com crianças muito pequenas sem noção exata de que festa participavam; tinha cachorros com lenço no pescoço ou adesivo na cabeça, participando calmamente da Marcha; tinha gente fantasiada; muitas faixas; muitos rostos pintados; muitas vassouras verde-amarelas. Os vendedores de água, pipoca e picolé acompanharam a Marcha e tudo bem, tem espaço para quem é do bem.

Atrás do Congresso Nacional, entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, o Hino Nacional se fez ouvir na imensidão do centro do país como coisa que ninguém conseguirá tirar de nós o orgulho de ser brasileiro.

Cheguei em casa com a alma em festa e o coração leve. Na hora certa para receber a tromba d’água que lavou a cidade e me obrigou a distribuir baldes nas goteiras mais acintosas, enquanto acalmava os cachorros dos trovões que chegavam após os raios riscados no céu.

Um dia especial que me devolveu a criança que só cresceu para poder entender que a esperança é uma adulta condição de viver, e que atende pelo sobrenome Cidadania.

2 Comentários

  • Chris

    Eu fui com você uebaaa .. muito bom .. esperando a próxima aventura. Ainda bem que não descreveste em detalhes como foi nosso retorno após aquela caminhada prá lá de emocionante e calorenta. rsrsrsrs

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *