Sentimentos acontecem dos fatos

Já que o avião não caiu… cheguei em Aracaju

HOTELARACAJU

Se vocês forem a Aracaju, recomendo o Hotel Brasília no centro da cidade. O Hotel não tem elevador; tive que sequestrar o cinzeiro do corredor para colocar dentro do quarto; toda a atenção na hora do banho porque o chuveiro, além de elétrico é do tipo entupido e  requer esforço e concentração para se ficar no filete de água permitido; a televisão não é a cabo e quem precisa de controle remoto?; o ar condicionado é para medir o seu cansaço porque o barulho lembra aquelas máquinas de furar asfalto; toalha de banho também se presta ao papel de toalha de rosto: limpinha, limpinha, pena que esqueceu que sua função principal é enxugar; café da manhã válido para quem faz dietas: uma fatia de presunto acompanhada de outra de queijo prato. Uma diária de R$40,00 das mais honestas que experimentei.

Ninguém entendeu o porquê da minha recomendação, imagino. Pois bem, porque o Hotel Brasília, que fica no centro de Aracaju, é o único hotel deste universo que tem a Da. Nani Oliveira de proprietária e de gerente do estabelecimento! Como conheci Da. Nani? Depois de algumas poucas horas de sono me dirigi ao refeitório para o café da manhã rápido – como descrito acima. E lá no refeitório um banner enorme, do teto ao chão com a fotografia de Da. Nani com o nome e sobrenome da mesma, acompanhada da singela frase: “Oitenta Anos! ” (assim mesmo, com exclamação e tudo). Preciso dizer que fui tomar café da manhã lá para umas 7 da manhã, ou 8 da mesma manhã – Aracaju não tem horário de verão e a minha desorientação foi no nível do extraordinário…..  Bom, terminado o café da manhã fui me sentar na varandinha, aconchegante, do Hotel e esperar que me pegassem para começar o trabalho do dia. Devo dizer que essa espera me consumiu praticamente um maço de cigarros. Mas tive a oportunidade de ver, loja por loja, do outro lado da calçada do Hotel sendo, uma a uma, aberta ao expediente. Tive a oportunidade de acompanhar o ritmo crescente dos barulhos que acontecem quando uma cidade vai despertando para a vida prática dos negócios. Foi aí, quando eu estava absorta, reparando uma moça do outro lado da rua que trocava de sapatos depois de estacionar o carro, que atrás de mim uma voz me obrigou a desviar o olhar: “A senhora já tomou café da manhã?” Frente ao meu sorriso e a confirmação que já o havia tomado, a Da. Nani insistiu: “Mas tomou café direitinho? Comeu o bolo? Tomou o mingau? O mingau está uma delícia”.  Eu mantive o sorriso e concordei que tudo estava ótimo e eu plenamente satisfeita. Isso tudo sem fazer idéia de que mingau ela estava se referindo, mas o bolo eu o havia identificado e dispensado porque imaginei que na primeira mordida eu iria me engasgar com a secura evidente que já na aparência nos apresentamos.  Como esperava muito, fui lá na cozinha (desculpe, refeitório) subornar o pessoal dos bastidores a gentileza de um pouquinho de café. Pronto! Quem entra no refeitório? Da. Nani. Foi só eu lhe dirigir um sorriso para ela vir ao meu encontro: ” Você tomou café direitinho? Comeu direitinho?” Pega em flagrante me limitei a balançar afirmativamente a cabeça. Aí ela se aproximou: “Ah… então só está tomando um cafezinho para aquecer a alma”.  Concordei, naturalmente que concordei. Da. Nani é o tipo de pessoa que de tanta simpatia eu seria capaz de concordar que o cafezinho era para esquentar não só a alma como o corpo, mesmo Aracaju sendo muito quente. E se ela insistisse eu seria capaz, sem nenhuma contrariedade, de tomar outro café da manhã só para não deixar nenhuma impressão que alguma coisa no estabelecimento dela havia me desagradado.

Quando eu ia colocar à prova uma teoria: iria para outro recinto do Hotel e “acidentalmente” encontrar a Da. Nani, só para confirmar se ela pela terceira vez iria me indagar se havia tomado “direitinho” o café da manhã, o carro buzinou me chamando e me coloquei a caminho do trabalho.

Da. Nani Oliveira, seu Hotel pode até não ser bonito, mas depois de conhecer a senhora pelas duas perguntas, absolutamente idênticas, que me foram feitas, o seu Hotel é uma verdadeira constelação (luxo de alma) e Aracaju será sempre o tamanho, enorme,  da sua hospitalidade….

4 Comentários

  • solange

    Monique sempre me traz coisas boas. Iluminada, como sempre, me apresentou esse teu espaço. Adorei teu território, pretendo fazer longas caminhadas nele.
    Bem, na verdade, achei tudo muito interessante, gosto do teu texto e do teu olhar para o mundo, mas confesso: o fato do avião ter chegado sem cair foi bastante relevante para mim.
    beijos e até breve
    obs. Adorei ser convidada a ler e escrever no seu caderno. Tá tudo lindo!

  • Thaís de Oliveira Goes

    Olá, não encontrei seu nome no blog, porém vou continuar assim mesmo a minha descrição.
    primeiramente obrigada por declarar detalhadamente o Hotel, segundo por ter simpatizado com Da Nani e no final do texto não ter colocado o local em que ficou hospedada mais pra baixo ainda, e em terceiro quero aqui avisar-te que D. Nani não é mais dona do hotel e que agora o mesmo está sob nova gerencia, também que os quartos foram reformados e os ar-condicionados trocados, os chuveiros estão melhores, assim como o café da manhã e todas as outras refeições já que agora o Hotel dispõe de todas aos hospedes sendo que o café da manhã e o jantar são inclusos nas diárias que são de $ 60,00 (em baixa temporada).
    Faça-nos uma nova visita e avalie, gostei do seu texto e acredito que ele irá ser modificado. Em breve nosso site disponível para reservas online.

    Beijos,
    Att,
    Thaís Goes
    Gerente e Diretora de Eventos do Hotel Brasília

  • Renato

    Fico aguardando uma nova avaliação sobre o Hotel Brasilia… Se está sob nova Direção, bem que podia ter mudado de nome, não??

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