Sentimentos acontecem dos fatos

Explodam todos os Serviços de Atendimento ao Cliente!

Gostaria que um Budista, dos mais fervorosos, interagisse com qualquer SAC tupiniquim. Sem sombra de dúvida o contato com um desses serviços teria um significado especial na vida do monge: uma das mais difíceis superações na escalada espiritual do religioso. Arrisco a dizer que esta prova levaria muitos a desistirem da graduação sublime, sucumbidos pela perda de paciência.

Posso citar uma série de episódios bastante diversificados que eu enfrentei em 2012 (o ano só está no final, mas ainda não acabou). Todos me fizeram ranger dentes e avaliar o Brasil num ranking de incompetência bem maior que a minha percepção do ano anterior.

A mais recente diz respeito a uma operadora de TV à Cabo que se meteu a oferecer Banda Larga. Como o meu problema (gravíssimo) diz respeito a não existir nenhum provedor de internet Banda Larga que alcance o meu endereço residencial, lá fui eu buscar alternativas. Preciso dizer que moro na capital desta República, supostamente democrática, a 30 quilômetros da Esplanada dos Ministérios (dentre os quais o das Comunicações) e os poucos ônibus que passam por aqui – na mesma precariedade que os demais que circulam na capital – são distritais, portanto, resido em Brasília mesmo, no perímetro urbano da Corte, no centro do quadradinho estilizado em qualquer mapa. E mesmo assim Banda Larga não chega até aqui! Pois bem, segui os preceitos da cautela: telefonei para a operadora, informei o meu CEP para que fosse avaliado o acesso ao serviço que desejava. Maravilha! Sim, nenhum problema, temos disponibilidade.  Feliz na expectativa de ver restaurada a minha conectividade com o mundo, dei os dados do meu cartão de crédito para que fosse debitado 50% da primeira parcela (um abatimento de cortesia, que se aplica a todos que escolhem a operadora). O pacote adquirido incluiu um ponto de televisão para que eu não pagasse uma extorsão a título de instalação da Banda Larga. Ou seja: se eu quisesse apenas a banda larga pagaria o valor proporcional a um ano de assinatura de TV à cabo, enquanto que se eu fizesse o tal do combo (banda larga + TV) essa instalação não me seria cobrada. Como sou inteligente e socorrida por uma máquina de calcular, fiz as contas e a vantagem apontava a armadilha promocional. Previsão para a instalação no prazo de uma semana a dez dias. Para quem havia sofrido má fé de uma operadora de telefonia no desligamento sumário e criminoso da banda larga que dispunha, parecia que a vida voltaria a me sorrir em tempo razoável.

Dois dias depois lá fui eu saltitante de alegria, abrir o portão para o profissional da operadora que chegara em tempo recorde. O contentamento levou menos de 10 minutos: eu vim instalar a TV porque a banda larga ainda não está disponível para este Condomínio. Com uma indisfarçável decepção, expliquei que a TV era secundária, porque o meu interesse e necessidade se restringiam a ter uma banda larga. O rapaz até se comoveu com a minha desilusão e fez contato com o técnico qualificado especificamente para instalação de banda larga e as notícias não eram em nada animadoras: segundo o técnico, a previsão de chegar onde moro só no próximo ano. Lamentei o fato e não autorizei a instalação que só se justificava se a bendita banda larga estivesse realizada.

Imediatamente fiz contato com a operadora da TV cancelando o contrato, explicando os motivos e, naturalmente, solicitando providências quanto ao ressarcimento do débito feito em meu cartão. Deixei tudo cozinhando em banho-maria por 60 dias, por já ter entendido ser esse o prazo para os cartões de créditos estornarem cobranças indevidas.

Agora estou na dolorosa fase de me comunicar por email com o (des)serviço de atendimento ao cliente. Há três dias venho entabulando uma sequência surrealista na comunicação com os profissionais do SAC. Encaminhamentos assustadores, do tipo: entre em contato com a operadora do seu cartão de crédito porque nós já solicitamos o estorno há muito tempo. A primeira vez que me encaminharam essa máxima, abracei uma árvore, afaguei os cachorros, tomei uma dose de cachaça e devolvi explicando que esta providência não me cabia e sim a eles: assim como fui obrigada a provar, pelo encaminhamento à operadora de TV das faturas de três meses, que o débito foi realizado sem o devido estorno, certamente a operadora do cartão de crédito iria demandar comprovação do documento emitido com relação ao estorno e este somente a empresa de TV poderia fornecer, jamais eu. Como esses serviços dispõem de vários atendentes, as minhas manifestações são respondidas por aquele que estiver disponível no momento, e o respondente da vez não tem o cuidado de se inteirar do assunto e respondem apesar do histórico já ter um longo espaço ocupado no corpo dos emails. Ainda há pouco encaminhei o meu quarto email pedindo encarecidamente que desligassem o botão do automático e tomassem ciência do assunto com o respeito necessário à questão. Afinal de contas me venderam um serviço que não podem entregar e ainda entendem que sou eu quem deve intermediar a devolução de um pagamento indevido junto ao cartão de crédito, quando eles é que devem apresentar o comprovante desta solicitação de devolução.

Não sei quanto tempo ainda terei que esperar para que uma simples providência tenha o desfecho que deveria ser natural e desobrigado do fervor com que me vejo solicitando aos céus a paciência que a situação passou a me exigir.

Este é só um exemplo que ainda pode gerar uma boa quantidade de exclamações desalentadoras do tipo “impressionante…” antes do desfecho (seja do assunto ou de mim mesma). O fato é que situações iguais a esta ou até mais desalentadoras, já disponho na quantidade de coleção só nesse 2012.

A solução é que todos os SAC desse país explodam! De que adianta uma fachada de atenção ao cliente, quando facilmente, em todos, se escondem seres desprovidos de bom senso que ao invés de eliminar um problema apresentado pelo cliente se empenham, com muita determinação, em multiplicar as dificuldades construindo um labirinto de impossibilidades de inesgotável imaginação.

Perdeu!

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *