Sentimentos acontecem dos fatos

Continuamos acreditando no ofício de viver

A segunda frase mais expressiva que recebi na virada deste ano (a primeira foi os surpreendentes muitos “eu te amo” que mediram a generosidade dos meus amigos) chegou com uma dupla surpresa: apesar da inconstante funcionalidade da minha internet recebi a mensagem; e, mais importante: o sentido da frase que não desgrudou de mim e se transformou na minha agenda para este ano que começa hoje: “que em 2013 a vida caiba na gente com o mesmo carinho com o que nos esforçamos para caber nela” (Carla Dias).

E como a minha agenda é a única brochura que permanece aberta e atualizada com a voracidade dos momentos, nas cores e tons interpretados dos fatos, eu compartilho com vocês esse presente, mesmo porque para que eu vivencie este mantra é preciso a cumplicidade de muitos, oxalá fosse de todos…

Nesse pacote de desejos para 2013, peço de empréstimo uma frase que serviu, muito apropriadamente, para definir uma amiga: “Você é uma criança com olhos muito grandes, quer tudo ao mesmo tempo”. Assim, se juntarmos o carinho, que é um dos sentimentos que mais promovem transformações, com a disposição infantil de aceitar tudo ao mesmo tempo, acho que vamos conseguir um ano bacana! No mínimo terminaremos mais aprendidos sobre nós mesmos.

Que 2013 seja um ano de encontros e reencontros. Mesmo sabendo que despedidas e distâncias são inevitáveis, que elas não amorteçam o nosso carinho nem estanquem os nossos passos do caminho. Que possamos sorrir muito; andar de bicicleta sentindo o vento que conseguimos com o esforço da nossa energia; participar de muitas maratonas e diárias caminhadas no quarteirão das nossas vidas; cantarolar e dançar na trilha sonora dos nossos sentimentos (mesmo aqueles afastados da alegria); sermos poupados das dores físicas já que as silenciosas aflições são, de certa forma, necessárias para identificarmos um melhor rumo; conhecermos novas possibilidades e não rejeitarmos tantas coisas que não conseguimos entender; traduzir os desejos dos bichos que estão sempre dispostos a nos ensinar linguagens alternativas. Enfim, que o carinho e o “tudo ao mesmo tempo” façam de nós pessoas melhores.

Ei, amiga, reconstruir a nossa “Muralha da China” confirma que obstinação e superação nunca nos faltaram e dificilmente de nós se afastarão.

Feliz Ano Novo!

 

2 Comentários

  • Tania

    Gostaria que 2013 fosse um sabático, esse foi meu pedido.
    Além de saúde, é claro.
    Que o carinho e o olhar de criança possam me reencontrar.
    Feliz novo ano.
    Bj

  • kelly

    O título não poderia ser outro: “Continuamos acreditando no ofício de viver”, para corroborar a frase de Carla Dias que, repleta de lucidez, traduz coragem. Desde agora faço dela igualmente o meu mantra. Além disso, ler esta mensagem cadenciada por Gonzaguinha é inundar a alma de bravura e esperançar as tantas novas vidas que pulsam oxigenando o corpo para o árduo oficio do viver.
    Vera é deleitoso te ler e me rever, ou, me ler e te rever. Em 2012 tive o grande privilégio de iniciar uma série de quebras de pré-conceitos relacionados às expressões do sentimento. Meus sentimentos se tornaram mais desinibidos: falar, abraçar, beijar. Meu espírito se libertou de certos complexos nele arraigados. Me desvencilhar disso me permitiu não apenas falar tudo que tenho vontade, mas também alguma sabedoria em me calar. Ai! Calar também pode ser bom antídoto para as angústias. Mas tudo isso aprendi com sua colaboração, afinal foram tantos os pensadores que você me permitiu deles aproximar. Esses tantos caras que me enlouquecem, mas que me amadurecem.
    Obrigada por ter partilhado comigo seu carinho e sua amizade. Sou grata a esse ofício de vida e nele te saber bem próxima, apesar das imposições geográficas.
    E quer saber? Vamos embora, afinal quero uma muralha maior, talvez mais perfeita kkkkk… Jura, isso é só reflexo da antiga dramática, por mais renovada que se pretenda kkkk. Beijos. Te amo e seu texto está guaraná puro. Muita energia para nós todos em 2013 e 2014 e todos os anos que vierem. Oxalá!

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