Colaboradores

Poema

A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.
 
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
 
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Manoel de Barros

Um comentário

  • kelly

    Lindo poema.
    Me fez pensar… só não compreendo o que é ser “outros” pois, vivemos ao mesmo tempo amarrados a uma repetição cotidiana mas fantasiando o desejo da perfeição. Perfeição que facilmente identificamos, justamente, nesses “outros”. Acho que Roberto DaMatta disse algo parecido com “a grama do vizinho é sempre melhor”. Não sei, mas todas as vezes que me aventuro nesse mundo indecifrável dos angustiados poetas fico mais perdida ainda. Quando deles faço serventia de algo (uma poesia que me coloca em permanente ou momentânea reflexão), me surge a constante dúvida do quanto aquele pensamento instigante é a expressão fiel do seu criador ou apenas uma possibilidade idealizada de si mesmo. Afinal, se sabemos o que fazemos e se comprar pão às 6h incomoda, talvez não haja necessidade de parar de comer pão, apenas trocar o horário de pagar por eles. Beijos

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