Saltaram dos livros e vieram para cá

Daniel Galera

Quando eu li “Barba Ensopada de Sangue” Daniel Galera não me era totalmente desconhecido uma vez que “Até o dia em que o cão morreu” inaugurou e me incitou a querer confirmar minhas impressões sobre o autor.

A primeira vez que ouvi falar em Daniel Galera foi no Podcast do Antônio Fagundes “Clube do Livro” (bom demais! Claro: saiu do ar…) e o título já me deixou curiosa.

Daniel Galera nasceu em São Paulo, mas é gaúcho de tempo vivido em Porto Alegre (até parece que estou abrindo uma janela nas minhas leituras para a ponta sul do país… inclusive o “Barba Ensopada” faz referência a Torres a partir de uma competição de natação que há, ou havia, chamada Travessia de Torres – algum gaúcho me confirme se esta competição aquática aconteceu, ou acontece, ou se a ficção do autor predominou até nisso), jovem (nasceu em 1979), já acumulou vários prêmios e tem seus livros traduzidos mundo afora. Salvo imperdoável erro de minha parte sua literatura consiste nas seguintes obras: “Dentes Guardados” (2001), “Até o dia em que o cão morreu” (2003), “Mãos de Cavalo” (2006), “Cordilheira” (2008), “Barba Ensopada de Sangue” (2012) e “Meia-noite e Vinte” (2016). Já comecei a ler este último…

A sensação quando li a “Barba Ensopada de Sangue” foi do tipo: “Nossa! Aonde isso vai dar?” Simplesmente não conseguia me desgrudar do livro, café da manhã lendo; almoçando lendo; feliz com o isolamento social por me deixar mais tempo mergulhada no livro; antes de dormir lendo; tá… cheguei a levar o livro comigo pro banheiro. A história e a maneira de escrever enredam o leitor de uma tal maneira que as páginas vão deixando quem as lê com aquela sensação de quando você sai de um filme um pouco enevoado e fica torcendo para ninguém quebrar o encanto com o fatídico “E aí? Gostou?”. Basta dizer que o personagem principal sofre de prosopagnosia, ou seja uma doença degenerativa que impede que a pessoa reconheça a fisionomia dos indivíduos. Daí é possível imaginar os níveis de aflição acompanhando o personagem num enredo intimidador com relação à própria vida sem a possibilidade imediata de reconhecer nos semblantes seus amigos e seus inimigos, além das estratégias usadas pelo personagem para identificar pessoas por algumas características distintas que não a face. Um baita exercício, convenhamos. Outros ingredientes alimentam fartamente o leitor: a descrição da cidade litorânea de Garopaba (SC) compele a se visitar a cidade com mapa e livro para percorrer todos os lugares descritos. É quase uma compulsão! Fora isso, tem suicídio, tem mistério, tem romance, tem amor incondicional, de tirar o folego, por uma cachorrinha…. Tem mar, tem montanha, tem empatia, tem medo, tem frustração, tem raiva…..

Olha, para resumir: eu vou ler tudo que o Galera escreveu só para conferir que ele não foi capaz de superar todos os sentimentos que o leitor vivencia em “Barba Ensopada de Sangue”.

Simplesmente brilhante!!!

3 Comentários

  • renato soares menezes

    Uma resenha crítica brilhante (tão brilhante como a blogueira afirma ser o livro de Daniel Galera) sobre a obra de um autor por mim desconhecido. O brilhantismo da resenha é por conta da vontade imensa que fica no leitor de não só ler o livro «Barba Ensopada de Sangue» e como também visitar as demais obras de Galera. Aliás, se eu fosse o Galera, trataria de publicar essa resenha em um jornal local e de contratar a blogueira para fazer a resenha dos seus outros livros também!

  • Mônica Barros Coutinho

    Ler a sua resenha, Vera, é um prazer! Fico me identificando, lembrando de livros que não conseguia largar e desejando ler o “Barba ensopada de sangue”!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *