Sentimentos acontecem dos fatos

O tempo que escorre dos dias

imagem extraída do Google

Não dá para esse planeta chegar a um entendimento entre as pessoas, pois até mesmo na medição do passar do tempo não há uma unicidade. E isso, desde sempre. São numerosos os calendários dos quais se utilizam os povos para medir a vida em tempo.

Na Mesopotâmia, surgiu o primeiro calendário, o Sumério: era dividido em 12 meses lunares, alternados em 29 e 30 dias, totalizando 354 dias. Depois, veio o Calendário Egípcio (11 mil anos a.C.) que media o tempo com base na agricultura, os tempos de plantio. Já o Calendário Maia estabelecia o mês em 20 dias e o ano em 260 dias. E a confusão não para por aí não, longe disso. O Calendário Chinês, talvez seja o primeiro a conjugar Sol e Lua, e, para os chineses, estamos no ano de 4.718. Já no Calendário Hebraico, ou Judaico, cada ano tem 13 meses e vivemos no ano 5.780. Os Calendários Juliano (do romano Júlio César, em 46 a.C.) e Gregoriano (do Papa Gregório XIII, em 1.582) são cristãos, e o segundo substituiu o primeiro. Daí, até inventarem um novo calendário, o Gregoriano passou a demarcar o ano civil no mundo inteiro, sem anular os demais calendários hoje em curso.

Confesso que tenho dificuldades com a minha organização espaço-temporal. Nunca sei exatamente quando aquilo aconteceu, onde eu estava em determinado ano, quando mudei de cidade… Se a minha natureza fosse por excelência cínica, poderia ter me safado dessas imprecisões fazendo alusão ou impondo relatividade a propósito do tipo de calendário adotado na contagem do tempo. Aí seria uma desordem danada, correndo o risco de ser lançada a suspeição de eu ainda nem ter nascido, ou já ter morrido.

Outro dia, uma amiga, de relacionamento frequente, reclamou do que para ela significava muito tempo que não nos víamos. Me fez a constrangedora pergunta do quanto tempo?. Olhei para baixo, olhei para cima, à direita, à esquerda e respondi da forma que me pareceu mais simples: “Não nos vemos há dois pães de forma, 200 gramas de presunto, 03 chocolates do tipo “batom” e a live do Gilberto Gil”. Não me agradou o retorno que me deu: me mandou para aquele lugar, onde nunca sei se já estou, se estou perto ou longe, mas de qualquer forma um lugar pouco educado para ser sugerido a alguém. Há pessoas que não encontro bem antes de ser condecorada com quatro sobrinhos-netos. Outras que não podem imaginar como ficaram brancos os meus cabelos nem a quantidade de rugas que me ofereceram quaisquer dos calendários disponíveis.

Tento, com muita dedicação, medir o tempo selecionando as coisas boas que me acontecem. Sou praticamente um Facebook ambulante, ocupando a minha memória pela cronologia dos bons papos, das boas surpresas, das gargalhadas descontraídas por algumas questões sem muita importância. Prefiro assim.

Não me ofendam só porque o meu calendário é um pouco diferente dos tantos existentes por aí. Quem sabe, em curto espaço de tempo, haja uma percepção ampla do quanto é bem mais divertido contar o tempo por tudo de lúdico por nós vivenciado. Tristezas? Essas são rendidas pelo acúmulo de alegrias, desde as mais pequeninas, que nos são dadas a viver no escorrer dos dias.

5 Comentários

  • kelly vieira meira

    Dei boas gargalhadas embarcando nesse telefonema em que uma pergunta dos numéricos passados e a outra devolve no saber do sabor de um bom café, servido daquilo que marca o paladar e nutri os bons encontros. Um texto leve, e por ser tao instigante, vou correr a servir-me de um bom café com memórias. Obrigada por ofertar neste, tamanha riqueza sobre o tempo e suas marcas multifacetadas, e viva uma vida em que as memórias vibrem pelo divertimento que a qualquer outro endurecimento; afinal a vida contem simultaneamente passado e futuro nessa caixa que se chama instante. Um lúdico presente.

  • Mônica Barros Coutinho

    Uma delícia esse texto… E, devo confessar, o tempo também me causa um certo atordoamento… Perco a precisão das datas, do quanto passou… Mas com certeza é para ser vivido da melhor maneira possível… Que possamos preenchê-lo com amor, alegria e as boas recordações nos acompanhem!

  • renato soares menezes

    Sim, um texto muito prazeroso! Além de instrutivo, ao elencar os vários calendários existentes ao longo da História. Quero crer que, no âmbito individual, há várias maneiras de medir o tempo; eu, por exemplo, o meço a partir do nascimento dos filhos e dos netos ou da transferência de uma cidade para outra… No fundo, é a nossa memória, capaz de guardar os bons e os maus momentos vividos, que, ao determinar a passagem dos fatos, mede o nosso tempo particular. Em síntese, o texto, prazeroso e instrutivo, é também provocador, pois nos instiga a refletir sobre a passagem do tempo e sobre a nossa memória seletiva dos acontecimentos.

  • Maria Martinho

    Vera
    De uma maneira leve e bem humorada você tocou num tema que diz respeito a todos nós e que cada um de nós encara de maneira diferente.
    Como medimos o nosso tempo? O que significa “desperdiçar” ou “ aproveitar” o tempo? A minha maneira de usá-lo e medi-lo é mais sábia do que a do outro?
    Tomando emprestado a definição de tempo de Einstein : “ a diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão”, me pergunto, sendo Ilusão ou não, por que precisamos medir o tempo e organizar as coisas conforme elas acontecem ?
    Há incontáveis frases sobre este tema, que circulam no nosso cotidiano , disponíveis para serem escolhidas a dedo, sejam elas de repreensão, de ânimo, de encorajamento , de consolo, de alerta …. Lembrei-me de algumas:
    “O tempo tudo leva e tudo sara”; “ O tempo é implacável”; “O tempo é dinheiro.”;”O tempo é o senhor da razão;” O tempo dirá.”; “O tempo tudo devora.”.
    Mas seja como for, gosto de pensar que não sou prisioneira do tempo: do passado quero reter as boas lembranças, do presente , quero cultivar boas lembranças para que elas perfumem o meu futuro.
    E assim vou caminhando na vida, quanto tempo o tempo me permitir!

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