Sentimentos acontecem dos fatos

Tudo de Bom que Acontecer

ferias

Primeiro passo imaginar uma mala leve e altamente funcional. Umas vinte camisetas e trës calças de jeans. Um tênis tá bom; se furar compra-se outro na estrada. As coisas básicas suportáveis pela “necessaire” de tamanho médio. Todas as roupas íntimas disponíveis, incluindo as meias – recentemente aprendi que elas são íntimas (até hoje olho para elas e tento estabelecer que nível de intimidade dispomos).  Etapa completa.

Segunda etapa é prestar atenção nas necessidades que podem ser atendidas com relação ao carro. Pneus estão menos carecas que a minha cabeça: se eu vou, então eles têm maiores condições de me levar. Óleo e filtro: trocar urgentemente! Freios obedientes… ah, extintor de incêndio precisa ser renovado. Acho que também é só no básico do indispensável.

Os periféricos de primeira necessidade: notebook, 3G (que maravilha essa coisinha de poucos centímetros que nos coloca no olho do furacão de qualquer possibilidade informativa), dois livros de Clarice, o caderno de anotações da poeira das estradas, canetas com diferentes personalidades, o cansativo celular e seu cabo de força. Chega porque a mochila tem limites e sou eu que irei transportar esse peso nos ombros.

Roteiro de viagem é a próxima providência. Como dizem que todos precisam ter um norte na vida, direciono a minha bússola mais ou menos nessa direção. Preciso com certa urgência do sentido de mar, do cheiro do mar, da planíce de água horizontalizando o meu olhar, da identificação das marés, do respeito dos braços na suposta intenção, inconfessável, de cruzar o oceano. Preciso do silêncio ritmado da natureza que sempre conversa comigo em abissal profundidade. Abro então um “Guia Quatro Rodas” perdido na minha biblioteca e defasado em muito anos. Bom, convenhamos que do jeito que a coisa anda a atualização é no sentido de retirar uma estrada aqui e outra ali pela má conservação do país como um todo. Olho o mapa e procuro a menor distância a cumprir para encontrar o mar acima de mim. Uma confusão danada de linhas e traços que de relance mais parecem um enorme labirinto do que propriamente um auxílio para a minha direção. Fecho o guia convencida de que para me perder eu não preciso de nenhuma ajuda. Ora bolas!

Vigê! Já ia me esquecendo do estoque de cigarros para o caminho e o kit de emergência, tipo remédios para enxaquecas… roupa de banho e sandália de dedo…. estoque de CDs para a trilha sonora da aventura….

Ufa! Vou tirar umas férias do meu planejamento de férias. Essas coisas não foram feitas para a minha prática. Sou mais adepta a dar partida e reagir às surpresas dos caminhos.

Fui…. no tudo de bom que acontecer….

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