Aquele filme mexeu comigo

Guerra ao Terror

 

Guerra1

O grande vitorioso do Oscar 2010 tem muitas qualidades. No entanto é um filme que satisfaz plenamente se visto uma única vez. Não é daqueles filmes que se instalam numa parte da emoção e volta e meia ressurgem sugerindo que uma e outra passagens sejam revisitadas, reapreciadas. Ao mesmo tempo é um filme que insiste na memória alguns dias depois de visto. É um filme que incomoda; que instiga uma investigação dos traços psicológicos das personalidades centrais; que nos obriga a encarar os extremos inexplicáveis da reação humana; que nos posiciona alguns degraus abaixo da crença na reabilitação do bom senso da espécie.

Existe um traço técnico determinante neste filme: o posicionamento da câmara. As tomadas são tão próximas, tão em zoom, que tossi com a poeira do cenário; que senti sede naquele calor na eminência da morte; que fiquei ali encarando os muitos fios e tentando adivinhar aquele único que poderia restabelecer a vida; fiquei ali rodando a cabeça tentando perceber entre os meus observadores qual tinha por objetivo impedir por definitivo o meu trabalho (e a mim mesmo). Tomadas de câmara de tal forma intimistas, em ângulos muitos fechados, provocam suspiros ansiosos de quem vive cada cena e não apenas as assiste. O interessante foi perceber que nas raras vezes em que ocorreram a abertura das lentes, numa tomada mais larga do cenário, eu tive dificuldade de retomar o olhar para o horizonte ampliado. Me perdia visualmente  nas muitas opções disponíveis e, sem foco, me senti vulnerável por não saber distinguir o inimigo.

 O filme acompanha o dia a dia de um esquadrão antibomba do exército americano em missão no Iraque. Quando faltavam 38 dias para o término da missão, ocorre uma baixa do comandante da equipe, que é substituído por um soldado muito menos cuidadoso com a equipe e com ele mesmo. Trata-se de um filme sobre guerra? Não necessariamente. Na minha opinião o filme mostra dois ângulos: (i) as angústias e dúvidas de homens que pelas circunstâncias são soldados, e (ii) o sentimento de um país ocupado e não necessariamente das motivações no estabelecimento de uma guerra. Esses diferenciais me levam a supor que somente a alma feminina da direção permitiu que essas sutilezas chegassem até nós.

 É…. a vida em muitos aspectos é uma droga… em todos os íntimos sentidos em que se dá a celebração do vício de viver….

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