Sentimentos acontecem dos fatos

Conversinha de final de domingo

Coffee

A conversa começou a ficar mais densa quando foi mencionado que os valores universais deveriam estar mais perto das pessoas. Valores universais….. aqueles que em categoria de distinguem dos valores sociais e dos valores pessoais. Mais perto das pessoas deveria significar então praticar tais valores.

Corri para  fuçar a ferramenta de pesquisa que entendo ser universal para quem lida com o computador. Precisava saber quantos e quais valores universais nós dispomos. O início da pesquisa foi bem legal: o amor, a verdade, a não violência, o respeito, a generosidade, a compaixão, a confiança, a gratidão, a lealdade, a justiça. Mas aí me deparei com uma ansiedade extraordinária que me fez devorar uma bisnaga inteira, mesmo sem estar com a mínima fome. Encontrei lá a seguinte sentença de efeito moral devastador: “os valores universais do Direito Tributário”.  Eu diria que se tratava de um imposto mental necessário sair correndo desse desvio. E foi o que fiz olhando a traiçoeira segunda bisnaga e aplicando o princípio universal da negação.

Mas voltando aos valores: os universais contém 100% de pureza. Imaculados. Sublimes. Grandiosos. Os valores sociais são impregnados pela cultura , obedecem algumas convenções que se penduram no coletivo. Os valores pessoais  é o grande caldeirão onde os universais e os sociais são tingidos pela indivualidade. E quem vai amassar a massa desse pão? Vamos fazer o caminho inverso desse labirinto, sem esquecer que é selvagem o minotauro aprisionado em qualquer dédalo. Os valores pessoais são ruidosos, grita a história de vida, berra a religião, esperneia o temperamento, sacode o gênio, baila a vizinhança. Os valores culturais saem do estágio de ruído e ganham a dimensão de uma música. Não me perguntem o ritmo porque cada povo tem o seu próprio hino. E fazem questão deles. Finalmente os valores universais: som cristalino, tipo high definition, ou 3D, para ser moderna e um tanto ou quanto idiota.

Tudo bem. Transitamos entre o que somos, o que esperam de nós e o que gostaríamos de ser. Pacote de valores que se embaralham, se repelem, se modelam, se estagnam, se universalizam, se socializam e se individualizam. A questão é: será possível decantar todos esses elementos? E se tais elementos fossem decantados o que faríamos com as distintas partes? Poderíamos então a aproximação com os valores universais? Dificilmente. Nenhum valor universal permanece íntegro na experiência do pessoal. Irremediavelmente contaminado pela individualidade ele se transforma. Apenas se transforma, o que significa que pode expandir ou retrair como nos orientam aguns fenômenos físicos.

Andei, andei, andei, dei voltas, descrevi círculos perfeitos. Naturalmente não saí do lugar. Circuito muito fechado se debatendo no espaço estreito que limita a minha individualidade. Para quem gostar ainda tem uma bisnaga fresquinha e café recém coado para encerrar essa conversinha de domingo e inaugurar uma semana inteira.

Mais um passo em qualquer direção e saberíamos que a história teria um final diferente….

2 Comentários

  • Tania

    Puxa… lamento ter perdido o bonde do conversê do domingo. E prá piorar, acrescento o habitual aparte que nos acho distantes demais. Sim, para ser coerente ao tema, um dos (meus) valores universais é estar alinhada à minha essência, às minhas características. Clarice disse que não devemos transigir demais nessas questões pois não sabemos qual o tijolinho de nossos defeitos é que nos sustenta fundamentalmente. No meu caso, penso ser a persistência…rs. Beijo de feriado.

  • Monique

    Conversinha de final de…
    Lembrei da gente , criaturas jovens- muito jovens , meninas mesmo, discorrendo sobre esses tão caros temas, até hoje…
    As reticências , me levam para o reconhecimento do valor de nossa existência pra mim… Quem seria eu se não tivéssemos existido? Quem/como seria a pessoa, o ser Monique?

    Sempre, aquilo que é ontológico ( ou talvez cristão) tem um lugar especial nas minhas reflexões- falo do que é básico , inclusive no que tange as individualidades,
    “NÃO FAÇO PRO OUTRO O QUE NÃO QUERO PRA MIM”,
    Embora possa vir a fazer ou já tenha feito, afinal somos humanos – é claro.
    Seja lá como for , acho essa uma boa idéia pra viver melhor com o outro…

    No entanto o outro , pode ser tãããããooooo outro que aquilo que me importa ou incomoda, pode não lhe dizer nada.
    Como é bom poder tocar um instrumento… ( Caetano Veloso)

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