Sentimentos acontecem dos fatos

Desdobramentos

desdobramento

Quando soube do seu noivado, imediatamente me lembrei da primeira vez que a tive nos meus braços, ainda no hospital. Já na primeira semana de vida era possível perceber a serenidade e a meiguice que nunca se afastaram de você. Encontrei uma foto que registra esse momento: as cores no papel estão esmaecidas, mas preservo tudo nitidamente na minha memória. Me lembro de ter ido a uma única festa de comemoração do seu aniversário: você linda, no colo dos adultos… Séria, querendo acompanhar todos os movimentos incomuns que aconteciam ao seu redor. O palhaço, a máquina de algodão doce, seus amiguinhos correndo de um lado para o outro… Você se sentia segura nas vezes que encontrava o olhar de pai e mãe naquela festa que sabia sua pela quantidade de beijos e presentes que as pessoas lhe entregavam. Talvez seja isso mesmo a definição do mundo perfeito.

Você crescendo em outros muito países, eu fincada no Brasil. Os meus pensamentos – aqueles pensamentos que velam a saudade – sempre foram numa quantidade bem maior que as atitudes que pudessem promover encontros. “Quando você crescer a gente vai poder conversar muito…” Acho que a sua infância inteira foi acompanhada desta perspectiva. Uma espécie de acalanto para afastar saudade, para dar curso as urgências do dia a dia, para não traduzir as horas de vôos em medidas de impossibilidades. A primeira supresa foi a sua formatura. O seu primeiro emprego. A busca dos seus próprios caminhos, as opções com que se traça o destino. Você quase adulta e eu quase definitiva senhora. Ainda os países e as distâncias prevalecendo numa rotação inversa do encontro.

E agora a notícia do seu noivado…. É….. você cresceu……. Talvez seja a hora de sintetizar todas as conversas que não tivemos. Tornar efetivo, de certa forma, todos os princípios, todos os principais sentimentos, todas as fundamentais expectativas que sempre estiveram, por mim, no seu caminho, quando eu não podia estar. Na síntese absoluta de tudo, uma frase que é um pedido constantemente formulado e sempre nos acompanhou, sempre nos aproximou: “Que Deus te abençoe”. É tempo do desdobramento das esperanças. Novos ciclos, novos modelos, reinvenção do mundo de forma expandida e única. É o futuro que começa a se formar. Um futuro que por sorte poderá me ser referendado nos frutos colhidos de algumas árvores que por aqui plantei. Isto se árvores ainda existirem no futuro que os sorrisos de seus filhos trouxerem.

Que a sua história continue sendo linda, tão colorida e iluminada quanto tem sido até aqui. E que as minhas conversas com Deus sobre você permaneçam bem recebidas pelos méritos que são seus.

Para Flavinha

3 Comentários

  • Tania

    Nossa… boas e alegres notícias. Novos ventos, novos ciclos. Toda boa sorte que houver nessa vida, é o que desejo a eles. Beijos

  • Ronaldo Ferreira da Silva

    Parabéns Vera Cristina, por esse poema de amor, carinho, amizade e proteção com a querida sobrinha Flavinha !
    Você escreve de uma forma muito linda e é uma poetisa de verdade.
    Grande abraço, Ronaldo e Sandra.

  • Stela Brandão

    Parabéns pelo lindo Blog. Aproveito a janela para lhe mandar um abraço pelo seu aniversário. Talvez nos vejamos no casamento da Flávia.
    Tudo de bom,
    Stela

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