Sentimentos acontecem dos fatos

Ficamos entre o Agir e o Reagir

reagir

A premissa é nos desvencilharmos do Reagir para concentrarmos no Agir.  Tenho dificuldade de colocar um à direita e o outro à esquerda. E nas vezes que aparentemente penso ter conseguido fazer essa separação, os dois iniciam uma conversa que sempre termina cabendo a mim contabilizar as provocações entre os dois. E tudo parece voltar ao ponto de partida.

Agir e Reagir são posições que tomamos na vida. Inauguramos a vida a  partir de uma reação: quando o espaço uterino se torna pequeno demais para o nosso tamanho, temos por reação arrebentar a bolsa amniótica e inaugurar a vida com estridência. Nascemos reagindo. Este é o instinto básico que irá nos acompanhar na viagem de existir.

O que distingue o Agir do Reagir é o grau de consciência que o Agir usufrui e o Reagir dispensa. Outras distinções podem facilitar o entendimento: Agir tem elegância, requinte, sofisticação, (lembrando que crimes premeditados decorrem de uma mente com atributos de consciência que não alcançam o tamanho da grama aparada – portanto, não são atos inconscientes, mas de consciência estreita), possui todas as réguas e compassos da engenharia, cujos cálculos decorrem da capacidade individual de refletir sobre o que se passa em torno de si e dentro de si próprio. Agir é quando se conta até 10 antes de interagir com o universo (e tantas vezes percebemos que até 10 foi pouco….).

Eu sou bicho reagente assumido (atenção: reacionário é outra coisa, embora também faça parte da minha experiência). E confortavelmente me assento nesta condição: reajo em lágrimas quando os primeiros raios de sol descrevem uma faixa vermelha no horizonte; reajo em orgulho quando a bendita terra me oferece os frutos das árvores lá no quintal; reajo em silencio quando a estupidez humana coleciona crimes de Lesa Humanidade; reajo em amor à visão dos bem amados…. Irremediavelmente o Reagir me domina e determina as medidas do meu Agir….

Em síntese: para eu Agir (insistindo que se relaciona com a amplitude da consciência) eu preciso de estímulos (tudo que me incita a uma reação). Eu só consigo Agir quando todas as possibilidades de Reagir passam pelo “lava-a-jato” da consciência. Quanto maior a minha consciência, maior a quantidade de reações a ela submetidas.

Desisto de colocar o Agir e o Reagir em gavetas separadas: um provoca o outro até o último suspiro. Habitam a mesma casa….

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